Arquivo para Relacionamento

Garota explica porque fugiu de casa

Postado em Comportamento, Relacionamento com as tags , , , em Junho 16, 2008 por Zailda Coirano

Ontem assisti a entrevista com uma das garotas desaparecidas e o que me espantou foi a clareza com que ela explicou os motivos que a levaram a fugir de casa. Disse ela que não estava contente com a vida que levava e que resolveu mudar, viver uma aventura.

Disse que seu relacionamento com a mãe era normal, ou seja, que se davam bem mas que tinham os conflitos normais entre mãe e filha. Quanto ao pai, disse que ele era ausente e que tentava compensar com coisas materiais essa ausência.

Afirmou que se sentir novamente vontade de sumir, falará com a família e pedirá socorro, que entende que o fato de sua vida não estar como quer não é apenas culpa da família, mas que ela também terá que mudar seu comportamento.

Referiu-se também ao fato de alguns jornais terem levantado a hipótese de que as duas seriam amantes e que fugiram para viver seu romance em paz como uma forma de mascarar a situação e fazer sensacionalismo. Disse que esses repórteres tentam achar uma justificativa bombástica mas que a resposta era bem simples: fugiram simplesmente por insatisfação com a vida que levavam.

Para alguns pode parecer que os motivos são prosaicos, imaginem se todos os que estivessem insatisfeitos resolvessem fugir, a polícia rodoviária teria que montar urgente a “operação fuga” nas estradas do país. Mas na adolescência não funciona bem assim, algo com que os adultos lidam tranquilamente em seu dia-a-dia pode parecer massacrante para um adolescente. E nem sempre a “solução” que encontram é proporcional ao problema que os aflige.

Alguns dirão “imagine o desespero dos pais”, mas com certeza as jovens deram mostras de insatisfação anteriormente e não tiveram a atenção de seus pais. Os pais costumam pensar que os jovens não têm problemas, e se os têm, costumam considerá-los bobos. Podem ser bobos para os adultos, que com certeza têm assuntos mais “sérios” com os quais se preocupar, mas para o adolescente esses conflitos podem se tornar angustiantes, e se não têm o auxílio dos adultos, sentem-se perdidos e procuram uma solução à altura de sua imaturidade.

As garotas foram inconseqüentes (o que é natural nessa idade) mas não chegaram a ser originais. Os dados indicam que todo ano milhares de crianças e jovens fogem de casa, motivados por problemas mais ou menos graves, de acordo com a forma de pensar e agir do adulto, mas com certeza para eles esses conflitos são de suma importância.

Para educar é preciso também saber se colocar no lugar do outro, e para os pais isso pode ser ainda mais fácil porque todos já foram adolescentes um dia, basta tentar lembrar como se sentiam se tinham um problema qualquer afligindo-os e seus pais os minimizavam sem dar-lhes a atenção devida.

Conversar com os filhos não é simplesmente tentar impingir-lhes seus valores de adulto, mas também tentar entender um pouco do universo infantil.

(zailda coirano)