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A figura paterna

Postado em Comportamento, Formação do caráter, Pais permissivos, Valores, disciplina com as tags , , , , , , em Novembro 17, 2008 por Zailda Coirano

Hoje nem é dia dos pais nem nada, mas essa é uma observação que venho comprovando por experiência própria – se é que se aprende alguma coisa de outra forma, por experiência alheia, por exemplo – e percebi que grande parte dos casos de delinqüência juvenil tem por detrás um pai ausente. E por pai ausente entenda-se aquele que sumiu, morreu, não-fede-nem-cheira ou que foi rejeitado como modelo pelo filho.

Os números da delinqüência são crescentes e a sociedade costuma culpar o governo pelas más condições de vida e falta de oportunidades para as classes mais pobres, mas acredito que a principal causa da delinqüência esteja dentro da própria família e não em fatores externos.

Basta ir a uma delegacia (como fui algum tempo atrás) e observar os menores que ali estão. Em sua grande maioria quem comparece para representar o menor é a mãe ou outra pessoa da família, quase nunca o pai. E o fato de o pai estar presente em pessoa não significa necessariamente que represente uma figura importante na educação do filho.

Mães que também se tornam pais de seus filhos há muitas, mas quando nos arvoramos em pai e mãe de nossos filhos acabamos na verdade nos tornando meio-pai e meia-mãe porque somos apenas uma pessoa e não é possível nos desdobrarmos em duas. E também o que faz falta é a “figura” do pai, um homem que o jovem admire e, portanto, queira imitar.

Por mais que nós mães tentemos ser o pai de nossos filhos ou suprir sua falta, acabamos por nos tornarmos pais indulgentes e dóceis demais, e por outro lado mães duras e frias em demasia. Acabamos não desempenhando nenhum dos dois papéis da forma ideal, e isso acaba afetando o desenvolvimento emocional e o caráter de nossos filhos.

Isso não equivale a dizer que TODOS os jovens criados sem a figura do pai presente e atuante estão inexoravelmente fadados a tornarem-se delinqüentes ou marginais, mas se houver em sua personalidade traços mais fracos ou indesejáveis, com certeza sem um pai essas características serão muito mais difíceis de serem contornadas ou abolidas na formação do caráter do jovem.

Por outro lado, se o pai é um modelo e uma figura admirada pelo filho, a necessidade de aprovação por parte do pai fará com que o filho aja de forma muito mais consciente e equilibrada, mais de acordo com os parâmetros desejados para fazer dele um “cidadão de bem” no futuro.

Como o assunto é extenso e abrange muitos outros aspectos, não querendo ser simplista nem estender-me demais, vou dividir essa postagem, de forma que voltarei a tratar do assunto em breve.

(Zailda Coirano)

Incentivo ao uso de anti-concepcionais

Postado em Comportamento, Pais permissivos, disciplina, humor com as tags , , , , em Junho 22, 2008 por Zailda Coirano

Mesmo os naturalistas, adeptos do “deixar vir quantos filhos Deus quiser” vão se comover vendo essa cândida foto de uma cena familiar mostrando os anjinhos que Deus manda quando quer em ação… Olha, dá até um arrepio na espinha. Imagina a cara da mãe quando entrou na sala e se deparou com tão enternecedora cena?????

Garota explica porque fugiu de casa

Postado em Comportamento, Relacionamento com as tags , , , em Junho 16, 2008 por Zailda Coirano

Ontem assisti a entrevista com uma das garotas desaparecidas e o que me espantou foi a clareza com que ela explicou os motivos que a levaram a fugir de casa. Disse ela que não estava contente com a vida que levava e que resolveu mudar, viver uma aventura.

Disse que seu relacionamento com a mãe era normal, ou seja, que se davam bem mas que tinham os conflitos normais entre mãe e filha. Quanto ao pai, disse que ele era ausente e que tentava compensar com coisas materiais essa ausência.

Afirmou que se sentir novamente vontade de sumir, falará com a família e pedirá socorro, que entende que o fato de sua vida não estar como quer não é apenas culpa da família, mas que ela também terá que mudar seu comportamento.

Referiu-se também ao fato de alguns jornais terem levantado a hipótese de que as duas seriam amantes e que fugiram para viver seu romance em paz como uma forma de mascarar a situação e fazer sensacionalismo. Disse que esses repórteres tentam achar uma justificativa bombástica mas que a resposta era bem simples: fugiram simplesmente por insatisfação com a vida que levavam.

Para alguns pode parecer que os motivos são prosaicos, imaginem se todos os que estivessem insatisfeitos resolvessem fugir, a polícia rodoviária teria que montar urgente a “operação fuga” nas estradas do país. Mas na adolescência não funciona bem assim, algo com que os adultos lidam tranquilamente em seu dia-a-dia pode parecer massacrante para um adolescente. E nem sempre a “solução” que encontram é proporcional ao problema que os aflige.

Alguns dirão “imagine o desespero dos pais”, mas com certeza as jovens deram mostras de insatisfação anteriormente e não tiveram a atenção de seus pais. Os pais costumam pensar que os jovens não têm problemas, e se os têm, costumam considerá-los bobos. Podem ser bobos para os adultos, que com certeza têm assuntos mais “sérios” com os quais se preocupar, mas para o adolescente esses conflitos podem se tornar angustiantes, e se não têm o auxílio dos adultos, sentem-se perdidos e procuram uma solução à altura de sua imaturidade.

As garotas foram inconseqüentes (o que é natural nessa idade) mas não chegaram a ser originais. Os dados indicam que todo ano milhares de crianças e jovens fogem de casa, motivados por problemas mais ou menos graves, de acordo com a forma de pensar e agir do adulto, mas com certeza para eles esses conflitos são de suma importância.

Para educar é preciso também saber se colocar no lugar do outro, e para os pais isso pode ser ainda mais fácil porque todos já foram adolescentes um dia, basta tentar lembrar como se sentiam se tinham um problema qualquer afligindo-os e seus pais os minimizavam sem dar-lhes a atenção devida.

Conversar com os filhos não é simplesmente tentar impingir-lhes seus valores de adulto, mas também tentar entender um pouco do universo infantil.

(zailda coirano)

Garotas somem após sessão de cinema

Postado em Comportamento, Relacionamento com as tags , , , em Junho 16, 2008 por Zailda Coirano

Ana Lívia e Giovanna estavam em Curitibanos (SC) e foram levadas para o Conselho Tutelar

Rodrigo Pereira, Rodrigo Brancatelli, Laura Diniz e Vitor Hugo Brandalise

Terminou ontem à noite, em um hotel de Curitibanos, interior de Santa Catarina, a aventura das estudantes paulistanas Ana Lívia Destefani Luciano, de 16 anos, e Giovanna Maresti Sant’Anna Silva, de 15. Elas estavam desaparecidas desde quinta-feira à noite, quando Giovanna ligou de seu celular para a avó dizendo que dormiria na casa da amiga. Com a divulgação da história na mídia, o dono do hotel onde as meninas pretendiam se hospedar as reconheceu e chamou a polícia. Elas foram levadas para o Conselho Tutelar da cidade, confirmaram suas identidades e entraram em contato com suas famílias.

“Está tudo bem com elas, ainda bem que foi a hipótese mais inocente. Acharam que ninguém ia se importar ou ir atrás e tentaram fugir para a Argentina”, disse o irmão de Ana Lívia, Gabriel Dib. Por telefone, as meninas disseram que passaram por diversas cidades, pegando caronas – mas não detalharam o itinerário.

A mãe de Ana Lívia, Maria Valéria Destefani, ficou sabendo da notícia por volta das 20h45, depois de uma ligação de policiais da cidade de Curitibanos. “Só me falaram que elas estão bem e que vão permanecer no Conselho Tutelar até decidirmos como será a volta”, diz. “Fiquei sabendo que o dono do hotel em Curitibanos reconheceu as duas e ligou para a delegacia. Me contaram também que elas foram roubadas durante a viagem. Só isso. Devemos mandar agora as passagens aéreas, para elas voltarem logo, porque demora muito para a gente ir de carro até lá. Mas, graças a Deus, estão bem.”

Já rindo ao telefone e nitidamente aliviada, Maria Valéria ainda pensa em teorias para explicar a viagem da filha de 16 anos. “Vamos conversar bastante quando ela chegar, bastante mesmo”, conta. “Acho que ela fugiu porque achava o colégio muito opressivo, queria mudar de lá. Também acho que ela foi incentivada para fugir, não tem outra explicação. Acho que essa história deu muito pano para manga para ser discutido, muito assunto em pauta. Os pais não sabem o que os filhos pensam, não existe comunicação dentro da família, até que acontece algo como isso. Não vou colocá-la de castigo, isso não. Mas vamos ter de conversar.”

Em e-mail enviado a amigos no final da noite de ontem, ao qual o Estado teve acesso, os pais de Giovanna, Kelly di Bertolli e Sérgio Audi, disseram que foram “privilegiados por esta exposição do caso” e lamentaram a “dura realidade de milhares de pessoas desaparecidas” que viram “nos rostos destas pessoas anônimas que encontramos na delegacia de desaparecidos e que não tiveram a mesma exposição”.

APREENSÃO

À tarde, o chefe da Delegacia de Desaparecidos do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de São Paulo, Francisco de Assis Magano, havia dito que não descartava nenhuma hipótese, mas que, “pela experiência” e informações coletadas , tratava-se da antecipação de uma viagem. “A fuga estava programada para as férias, e elas anteciparam”, disse, acrescentando ser o episódio “uma bravata”, “uma aventura de adolescentes” e “um ato tresloucado”.

Mesmo sem as ter encontrado, o delegado também rechaçava a hipótese de aliciamento. “Foge muito do perfil delas: estudam em bom colégio, têm boa educação, bom nível intelectual, têm posses. Foi um ato tresloucado de fugir, não foram forçadas a nada.” Mas ele ressaltou que esse é um “tipo de aventura que às vezes acaba em tragédia” e adiantou que, assim que fossem encontradas, levantaria o percurso feito e pessoas com quem elas tiveram contato “para ver se no caminho houve algum percalço que possa ter causado algum trauma”.

O delegado e a investigadora Mara Silvia Moscatelli disseram que as duas venderam aparelhos eletrônicos de Giovanna, dias antes, para financiar a viagem, e que a garota tinha um documento adulterado, no qual aparecia com 18 anos. Os policiais acrescentaram que as duas reclamavam da escola. Giovanna, que entrou neste ano, estava com problemas de adaptação; e Ana Lívia queria transferência para um colégio público.

À tarde, a mãe de Ana Lívia, Maria Valéria Destefani, recebeu ligações do Rio Grande do Sul de duas pessoas que teriam dado carona e dinheiro para as garotas. Também vieram informações de que o paradeiro das adolescentes ainda era São Paulo. O pai de Ana Lívia, o professor de Matemática da USP Odilon dos Santos disse que o Colégio Equipe recebeu ligação de uma funcionária do Hotel Clarion Jardim Europa, que afirmava ter conversado com as meninas no cruzamento entre as Avenidas Brigadeiro Faria Lima e Cidade Jardim. “Ela disse que ‘a menina de olhos azuis’, a Ana Lívia, tossia muito e pediu uma informação.”