Palavra proibida

Hoje em dia vejo que os pais têm uma palavra-tabú. No meu tempo eram os palavrões ou qualquer palavra que se usasse para se referir às partes íntimas ou a qualquer coisa que delas viesse. Hoje em dia a palavra que muitos pais nunca dizem é “não”.

Parece que se a disserem seus filhos vão ter um ataque de frustração ou ficar traumatizados para o resto da vida. Ou que vão deixar de amá-los. Na verdade, não sei bem o que se passa na cabeça desses pais, porque no fundo acham mais cômodo permitir que seus “reizinhos” façam tudo o que querem porque assim posam de “bonzinhos”.

Infelizmente criamos os filhos para o mundo, e eles serão mais felizes se o mundo os aceitar bem e se estiverem conveniente preparados para o que terão que enfrentar. Será que seus futuros patrões sempre dirão sim? Será que tolerarão quando os reizinhos forem contrariados e (não acostumados a ouvir não) tiverem um ataque de choro ou de raiva?

De nada adianta tentar mascarar os fatos: o mundo vai dizer muitos nãos para nossos filhos e eles os aceitarão com maior ou menor facilidade dependendo da forma como foram preparados para lidar com as frustrações que a vida nos impõe.

Pais que dizem “não” quando este se faz necessário não estão gerando neles revolta ou frustração. Estão simplesmente desempenhando o papel a que se dispuseram quando decidiram ter um filho: educar. Quem educa ensina a lidar com a frustração em vez de criar um mundo falso onde o que fala mais alto é sempre a vontade da criança. Amar também é dizer não.

(zailda coirano)

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