Sobrecarregando os filhos
Alguns pais, talvez na ânsia de verem-se livres dos filhos, sobrecarregam-nos de atividades de forma que só os vêem à noitinha para um boa-noite. Acredito que esses pais estão delegando a educação dos filhos a terceiros, que imaginam melhor capacitados que eles, mas há uma diferença fundamental entre “educação” e “instrução”.
Claro que algumas escolas, além de instruir, têm também a preocupação de educar os alunos, mas essa educação é limitada e não substitui o convívio e exemplo que os pais precisam dar aos filhos para criar neles valores e princípios morais.
A geração anterior já foi criada com empregadas e em frente à TV. Seus modelos foram Batman, Mulher Maravilha, etc. É importante perceber desde cedo que ao criarmos um filho somos também responsáveis pela formação de sua personalidade, escala de valores, e que nossa missão principal é ensinar a eles como lidar com certas facetas “indesejáveis” de seu caráter.
Vejo algumas crianças que vão à escola de manhã, depois do almoço têm Kumon, inglês, espanhol, judô, computação, música, balé… Tenho pena dessas crianças porque além de terem responsabilidades muito acima do que podem administrar ficam privadas do convívio da família na maior parte do dia. Quando finalmente encontram os pais e irmãos já estão tão cansados e estressados que mal comem e já caem na cama, ansiosos por um merecido descanso.
Pais que fogem à educação dos filhos, limitando-se a meros provedores materiais, no futuro conviverão com estranhos que os tratarão como tal. Finda sua utilidade como provedores, serão naturalmente encerrados em um asilo, e o feitiço terá se virado contra o feiticeiro.
Educar é ouvir, observar, dar exemplos e auxiliar na formação do caráter, orientar quanto ao futuro e promover a socialização do filho, pois o mundo assim o exige e é para o mundo que os criamos.
(zailda coirano)