Arquivo para Maio, 2008

Autoridade – valor em extinção

Postado em Pais omissos, Pais permissivos, Valores com as tags , , em Maio 28, 2008 por Zailda Coirano

Conheço muitos pais que têm medo de exercer sua autoridade perante os filhos, talvez porque sempre que você toma uma atitude, se porventura algo der errado, a culpa é algo que você vai ter que assumir. Acho que pensam que não tomando atitude nenhuma se eximem também de culpas. Mas não tomar nenhuma atitude também é uma atitude e uma opção perigosa. Quem simplesmente deixa o barco correr vai ter que se preocupar com seu conserto depois do acidente, que com certeza ocorrerá, num barco sem ninguém no leme.

O pensamento “não sei o que fazer, então não faço nada” leva os filhos a virarem soberanos absolutos dentro de casa, assumindo eles o que os pais se omitiram em fazer. Acontece de ligar para pais de alunos com problemas (comportamento, atraso nas tarefas, etc) e os pais me retornarem uma pergunta:

- O que eu posso fazer?

Dizem esses pais que “não adianta falar com ele” porque ele não obedece… Ora, se não obedece aos pais, vai obedecer a quem? E para haver obediência pressupõe-se que alguém exerça autoridade, se você não a exerce, como seu filho vai aprender a fazer a parte dele?

Autoridade não significa despotismo ou autoritarismo, mas os pais precisam impor limites e exigir que sejam respeitados. Se você acredita que determinado tipo de programa vai ser nocivo à formação do caráter do seu filho, explique isso a ele e proíba o tal programa. Ele vai no fundo perceber que você realmente SE IMPORTA.

Aos pais que me perguntam “o que eu faço?” eu costumo perguntar: “Depende. Afinal, quem é que MANDA NA SUA CASA?”

(zailda coirano)

Palavra proibida

Postado em Formação do caráter, Pais permissivos com as tags , em Maio 19, 2008 por Zailda Coirano

Hoje em dia vejo que os pais têm uma palavra-tabú. No meu tempo eram os palavrões ou qualquer palavra que se usasse para se referir às partes íntimas ou a qualquer coisa que delas viesse. Hoje em dia a palavra que muitos pais nunca dizem é “não”.

Parece que se a disserem seus filhos vão ter um ataque de frustração ou ficar traumatizados para o resto da vida. Ou que vão deixar de amá-los. Na verdade, não sei bem o que se passa na cabeça desses pais, porque no fundo acham mais cômodo permitir que seus “reizinhos” façam tudo o que querem porque assim posam de “bonzinhos”.

Infelizmente criamos os filhos para o mundo, e eles serão mais felizes se o mundo os aceitar bem e se estiverem conveniente preparados para o que terão que enfrentar. Será que seus futuros patrões sempre dirão sim? Será que tolerarão quando os reizinhos forem contrariados e (não acostumados a ouvir não) tiverem um ataque de choro ou de raiva?

De nada adianta tentar mascarar os fatos: o mundo vai dizer muitos nãos para nossos filhos e eles os aceitarão com maior ou menor facilidade dependendo da forma como foram preparados para lidar com as frustrações que a vida nos impõe.

Pais que dizem “não” quando este se faz necessário não estão gerando neles revolta ou frustração. Estão simplesmente desempenhando o papel a que se dispuseram quando decidiram ter um filho: educar. Quem educa ensina a lidar com a frustração em vez de criar um mundo falso onde o que fala mais alto é sempre a vontade da criança. Amar também é dizer não.

(zailda coirano)

Sobrecarregando os filhos

Postado em Formação do caráter, Pais omissos, Valores com as tags em Maio 15, 2008 por Zailda Coirano

Alguns pais, talvez na ânsia de verem-se livres dos filhos, sobrecarregam-nos de atividades de forma que só os vêem à noitinha para um boa-noite. Acredito que esses pais estão delegando a educação dos filhos a terceiros, que imaginam melhor capacitados que eles, mas há uma diferença fundamental entre “educação” e “instrução”.

Claro que algumas escolas, além de instruir, têm também a preocupação de educar os alunos, mas essa educação é limitada e não substitui o convívio e exemplo que os pais precisam dar aos filhos para criar neles valores e princípios morais.

A geração anterior já foi criada com empregadas e em frente à TV. Seus modelos foram Batman, Mulher Maravilha, etc. É importante perceber desde cedo que ao criarmos um filho somos também responsáveis pela formação de sua personalidade, escala de valores, e que nossa missão principal é ensinar a eles como lidar com certas facetas “indesejáveis” de seu caráter.

Vejo algumas crianças que vão à escola de manhã, depois do almoço têm Kumon, inglês, espanhol, judô, computação, música, balé… Tenho pena dessas crianças porque além de terem responsabilidades muito acima do que podem administrar ficam privadas do convívio da família na maior parte do dia. Quando finalmente encontram os pais e irmãos já estão tão cansados e estressados que mal comem e já caem na cama, ansiosos por um merecido descanso.

Pais que fogem à educação dos filhos, limitando-se a meros provedores materiais, no futuro conviverão com estranhos que os tratarão como tal. Finda sua utilidade como provedores, serão naturalmente encerrados em um asilo, e o feitiço terá se virado contra o feiticeiro.

Educar é ouvir, observar, dar exemplos e auxiliar na formação do caráter, orientar quanto ao futuro e promover a socialização do filho, pois o mundo assim o exige e é para o mundo que os criamos.

(zailda coirano)